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Geroarquitetura, mantendo uma casa mais acessível para idosos

Publicado em 22 de junho de 2022

A história recente da sociedade brasileira e mundial está refletindo os resultados dos avanços científicos, em especial das ciências médicas, que ampliaram significativamente a expectativa de vida das pessoas e estão mudando a forma como estas pessoas longevas se relacionam com este novo mundo. Aqui no Brasil o avanço desta expectativa de vida pulou de 45 anos na década de 1940 para os atuais 76,8 anos, e estes números se repetem mundo afora.

E que leitura rápida podemos fazer disso? Estamos falando que os atuais quarentões, cinquentões dos dias de hoje estariam fadados a uma velhice sem sorte por volta dos últimos 60 / 80 anos atrás. E o que isso impacta na vida dos atuais idosos e no seu modo de vida? Então, enquanto os “velhos” do passado eram fadados a toda sorte genética ou de contexto social privilegiado, os grisalhos de hoje estão experimentando diferentes velhices e oportunidades que preservam sua saúde biopsicossocial e ampliam sua qualidade de vida e bem-estar.

Mas nem tudo são rosas nesta jornada do envelhecimento. As maiores dificuldades estão na luta permanente em manter sua autonomia e independência, ainda que por vezes sejam “roubados” por uma intercorrência ou “diminuídos” pelo declínio natural das fragilidades do envelhecimento. E qual a importância disso para os grisalhos? Talvez a melhor resposta seja outra pergunta: como prolongar as suas faculdades de decidirem por si mesmos e fazerem o que querem? Embora a vida os tenha ensinado que os legados são construídos com seus “altos” e “baixos”, o trunfo de manter sua autonomia e independência nesta fase da vida está sempre “por um fio”. Sim, o que queremos dizer é que basta um acidente, uma intercorrência, que tudo pode ser comprometido e até mesmo perdido.

Pensando neste contexto, precisamos concordar que com números não se brinca! Ainda mais quando esses números falam daquilo que é mais caro e importante na vida de qualquer adulto, a sua independência. Vamos a eles:

  • 30% é a taxa de idosos que, a partir dos 60 anos, caem pelo menos uma vez por ano.
  • 70% dessas quedas acontece dentro de casa!

Justo a casa, exatamente onde se crê que estamos mais seguros e confortáveis, é o ambiente onde mais acontecem acidentes entre a população idosa!

Os acidentes acabam acontecendo principalmente por dois tipos de fatores. Os fatores ligados a própria pessoa (intrínsecos) e os fatores ligados a casa onde vivemos (extrínsecos). Enquanto os fatores ligados ao indivíduo estão sujeitos às disfunções ou aos declínios naturais do envelhecimento como o controle postural (sensorial, musculoesquelético e sistema nervoso central), os fatores extrínsecos ligados à moradia são os únicos que podem ser totalmente ajustados e adaptados às necessidades específicas ou, muito melhor, para um planejamento preventivo e proativo que mitigue acidentes ou quedas dentro de casa.

É difícil criar uma casa mais acessível para idosos?

A palavra-chave é planejamento! A prevenção de riscos e lesões dentro do ambiente domiciliar pode ser avaliado e reduzido com intervenções simples, baratas e objetivas. Estamos falando de medidas como:

  • remover tapetes soltos;
  • substituir pisos escorregadios;
  • corrigir iluminação fraca ou ausente;
  • aplicar antiderrapante em escadas;
  • eliminar desníveis;
  • adaptar alturas de assentos e camas.

Apenas algumas destas intervenções no ambiente já ajudam muito a prevenir acidentes, mas é importante ir além. O contexto de saúde da pessoa idosa define em grande parte quais medidas são mais urgentes e necessárias. Problemas de visão e dificuldades de movimento, por exemplo, pedem medidas diferentes. Por isso, o ambiente deve ser visto como parte de um todo, onde o protagonista é o morador.

É claro que essas medidas não substituem os benefícios de uma vida saudável e ativa, muito pelo contrário, a atividade de exercícios para equilíbrio, força e flexibilidade juntamente com uma alimentação adequada são grandes aliados para a conquista de um envelhecimento ativo bem-sucedido.

E quem pode ajudar no planejamento de uma moradia segura e acessível para idosos?

A arquitetura vem apresentando novos conceitos e tendências que finalmente dão conta deste desafio. A arquitetura de acessibilidade, embora já presente e importante para o processo de inclusão universal das pessoas, hoje tem um interesse aumentado em razão do envelhecimento da população. E desta procura por soluções em ambientes para uma longevidade segura, acessível e confortável que um novo conceito está em evolução: a GEROARQUITETURA.

A Geroarquitetura une a ciência do envelhecimento com o ambiente já construído da casa.

Enquanto a ACESSIBILIDADE em Arquitetura está focada em remover barreiras e sinalizar ambientes para que o maior número de pessoas possa usufruí-los com independência, segurança e conforto, a GEROARQUITETURA se dedica especificamente ao público idoso, sempre buscando maneiras de proporcionar ambientes adequados para o envelhecimento saudável, ativo e prazeroso, focando em sua independência, mas também com atenção a detalhes para quem já precisa de maiores cuidados.

A Geroarquitetura é a concepção, materialização e promoção de experiências de bem-estar biopsicossocial para longevidade nos diversos ambientes. Vai além da Acessibilidade, pois leva em consideração não apenas o espaço físico onde o idoso vive ou circula, mas estuda de forma mais ampla, formas de proporcionar bem-estar aliado à segurança e conforto.

Senhora idosa caindo no chão
Por que é importante prevenir quedas? 
Leia mais

Tornar uma casa mais acessível para idosos, adaptando e personalizando uma residência para seu morador que já está envelhecendo traz consigo o desafio de entender as suas necessidades particulares e traduzi-las em mais segurança e conforto, sem fazer grandes mudanças. Afinal de contas, sua casa guarda o melhor de suas memórias afetivas.

A decisão por manter ou se desfazer de seus móveis e pertences, adequar espaços, propor modificações são exemplos que precisam ser discutidos para que se tenha, de comum acordo, um ambiente mais seguro, acessível e confortável. Alguns têm animais de estimação, outros apreciam trabalhos manuais, outros tocam instrumentos musicais, muitos mantêm atividades profissionais mesmo em home-office. Tem os que gostam de morar em um imóvel grande para poder receber amigos e familiares, enquanto outros preferem um imóvel pequeno e muito organizado, onde se sentem muito bem.

Um ambiente acessível para o idoso não deve ser triste. O cuidado de adaptar a casa deve considerar que até mesmo a remoção de simples objetos pode causar um impacto emocional.

Senhor sentado em uma poltrona confortável

 

Justamente no recanto desta casa, na moradia onde mais querem estar e viver a longevidade, é que nós da HCB – Adapte Arquitetura queremos ajudar. Adotamos com auxílio da tecnologia um sistema que rastreia informações importantes do cliente para nosso trabalho em arquitetura de acessibilidade e geroarquitetura. Entendemos que cada pessoa tem diferentes necessidades físicas e emocionais. Alguns moram sozinhos e prezam por sua liberdade, enquanto outros preferem estar junto da família mais intensamente. Por isso é tão importante que haja diálogo atento entre o arquiteto, o idoso e a família (quando necessário), que gerem momentos em que possam trocar ideias e informações importantes. E, baseado num levantamento amplo e cuidadoso de dados que emitimos um diagnóstico personalizado com dicas, emissão de alertas e de sugestões de adaptações incluindo especificações técnicas de como fazer as instalações.

E, muito importante, a acessibilidade nos ambientes vai além de ter uma especial atenção às pessoas seniores ou com alguma dificuldade de mobilidade, inclui também grávidas, mães com crianças de colo ou carrinhos de bebê, obesos, e outras pessoas com qualquer tipo de problemas de declínio funcional, mesmo que transitório, como num acidente que resultou na imobilização de uma perna quebrada, por exemplo.

E é por isso que quando ouvimos essa frase muito comum dos mais velhos: “com o passar do tempo nos damos conta de que nosso maior projeto de vida é viver com independência e qualidade de vida sem darmos preocupação para nossos filhos ou familiares” fortalece a compreensão de que esse ideal só é alcançado com um bom planejamento. Por isso, fica aqui nossa dica: discuta e planeje temas de geroarquitetura. Além de fascinante, podem fazer você e sua família reviver e se reinventar muitos anos mais no aconchego do seu lar.

Fontes:

Araújo, I. V. S. e cols. Queda entre idosos: preditores e distribuição espacial. Rev. Salud Pública. 21 (2): 187-194, 2019
Mackenzie, L.; Byles, J.; Higginbotham, N. Designing the Home Falls and Accidents Screening Tool (HOME FAST): selecting the items. Br J Occup Ther. 2000;63(6):1-10.
Oliveira, A.S.; Trevizan, P.F.; Bestetti, M. L. T.; Melo, R.C. Fatores ambientais e risco de quedas em idosos: revisão sistemática. Rev Bras Geriatr Gerontol. 2014;17(3):637-45.
Romli, M.H. e cols. The Clinimetric Properties of instruments measuring home hazards for older people at risk of falling: a systematic review. Eval Health Prof. 2018;41(1):82-128.
World Health Organization. Integrated care for older people: guidelines on community-level interventions to manage declines in intrinsic capacity. Geneva: WHO; 2017.

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Este artigo foi redigido por

Ana Luiza de Vasconcellos Silva

Arquiteta, Coordenadora Adapte Arquitetura HCB

Gerson Barth

Sou Gerson Luis Barth, fundador da Human Care Brasil, cirurgião dentista de profissão, pai apaixonado do Frederico e da Antonella e da mamãe e esposa Sheila.

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