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Aging in place

Publicado em 20 de abril de 2022

Assistimos, nos dias de hoje, a um envelhecimento muito acelerado das sociedades tanto aqui no Brasil quanto no restante do mundo. A inversão da pirâmide etária tem se caracterizado pelo crescimento dos grupos de mais velhos e da diminuição do número de jovens. Hoje, no Brasil, temos uma população estimada em mais de 32 milhões de idosos com previsão de em 2050 sermos um país proporcionalmente mais velho que jovem. Esse expressivo aumento da expectativa de vida e do consequente incremento da população 60+ têm provocado mudanças sociodemográficas profundas, como o número de pessoas idosas que vivem sozinhas de quase 4 milhões de pessoas, e, também, do correspondente a quase 20% das famílias brasileiras dependerem financeiramente por pelo menos uma pessoa idosa.

Surpreendente, não é mesmo?

Este fenômeno traz uma série de desafios sociais, econômicos e de saúde, principalmente para a população mais velha, cujo avanço da idade é frequentemente acompanhado pelas fragilidades e complexidades dos problemas de saúde comuns ao envelhecimento. As respostas às necessidades de cuidados e serviços de saúde acabam, muitas vezes, não acompanhando a desejada manutenção da qualidade de vida e tendo, por consequência, a perda gradativa do maior triunfo da vida adulta: a independência.

Infelizmente, este é o caminho do envelhecimento para grande parte da população idosa no Brasil e no mundo. A perda crescente das habilidades funcionais para dar conta de tarefas simples do dia a dia vão na contramão da capacidade dos serviços de saúde públicos e privados em atender as necessidades destas famílias, levando a uma perda precoce da independência. O resultado acaba sendo a institucionalização indesejada da pessoa idosa em alguma casa de repouso ou, em famílias menos favorecidas, a precarização do ambiente com o aumento de riscos de quedas e outros acidentes domésticos.

Com uma série de iniciativas e estudos na área de Gerontologia a partir da década de 90, surge então o conceito chamado Aging in Place que joga luz sobre o envelhecimento, buscando adaptações no ambiente no qual vive o idoso, assim como tudo ao seu redor, a fim de mantê-lo pelo maior tempo possível em sua própria moradia e entre os seus onde sua identidade e sentido de pertencimento estão materializados. 

"Aging in place" é um conceito que pode parecer complexo, mas seu objetivo é muito simples: permitir à pessoa idosa que envelheça com qualidade de vida, em sua própria residência e dentro da sua comunidade, com autonomia, segurança e independência.

Este conceito requer não só uma abordagem interdisciplinar nos campos da saúde, sociologia, como da arquitetura, urbanismo, entre outros, mas também de intervenções em diferentes níveis de conceitos e atitudes da cultura individual, comunitária e das políticas públicas.

Num estudo de 2004 (Feldman e colaboradores) protagonizado num dos países “mais velhos do mundo” – Portugal – concluiu-se que a maioria dos idosos prefere permanecer em casa à medida que envelhece. Esta preferência foi interpretada pela oportunidade de as pessoas mais velhas permanecerem por mais tempo independentes, autônomas e continuarem a manter as ligações com a sua rede social.

A essência desta relação ou vínculo é a resposta mais contundente e importante para compreender a qualidade do processo de envelhecimento. Portanto, não se trata somente das características e habilidades individuais. Os ambientes físico e social, vizinhos, familiares e toda sua rede de apoio compõe todo o contexto de vida do idoso. Tudo isso precisa ser cuidado.

A compreensão de todo este contexto da vida do idoso pode ser melhor explicada quando percebemos que há diferentes “velhices”, e que elas podem perfeitamente estar presentes e ser totalmente antagônicas numa mesma comunidade, ou seja, existem idosos ativos e saudáveis de 80, 90 anos enquanto outros de 60 anos estão acometidos por múltiplas doenças crônicas ou declínios funcionais que vão exigir modelos de respostas de atenção diversificados para mitigar e não comprometer a sua qualidade de vida.

Senhora lavando alimentos na cozinha

Independência é fundamental.

Ninguém gosta de depender dos outros, não é mesmo? Quando a necessidade de ajuda envolve tarefas básicas, a sensação é ainda pior. Por isso, não é de estranhar que uma das principais consequências da redução da independência é o surgimento de quadros de depressão e uma aguda queda na sensação de bem estar. Aí está a importância do conceito "aging in place". Da adaptação do ambiente físico, passando pelas habilidades individuais, concluindo na rede de apoio, o foco é sempre priorizar a independência com conforto e segurança para levar bem estar e melhor qualidade de vida à pessoa idosa.

No livro de Fonseca e colaboradores (2021), os diferentes tipos ou perfis de envelhecimento são contextualizados no conceito Aging in place formando três grandes grupos de atenção dentro desta visão ampliada da avaliação multidimensional do idoso:

  1. pessoas que desejam permanecer na sua casa atual e que não enfrentam problemas imediatos de saúde ou mobilidade;
  2. pessoas que apresentam condições de saúde progressivamente incapacitantes e que, mais cedo ou mais tarde, acabarão por exigir apoios suplementares para que possam envelhecer em casa;
  3. pessoas que experimentam mudanças de saúde abruptas nas suas vidas e que para continuar a viver em casa necessitarão introduzir modificações imediatas tanto em suas habitações como no seu estilo de vida.

Com esse olhar mais acurado e interessado, podemos dizer que viver mais tempo e bem passou a ser fruto de conquistas individuais e de avanços nos campos da ciência médica, tecnológica e do contexto da sociedade. O envelhecimento ativo e saudável é um feliz ponto de chegada quando pensamos no desenvolvimento humano. Portanto, o envelhecimento é um importante ativo da sociedade que, ao invés de enxergá-lo como um “problema”, representa uma grande oportunidade para o seu amadurecimento.

O grande desafio é cultivar ambientes favoráveis ao envelhecimento, para estímulo de uma vida saudável, com as adaptações necessárias para compensar possíveis fragilidades naturais à jornada do envelhecimento.

Aqui está finalmente a grande tarefa que o conceito Aging in Place oferece para nossa reflexão. É possível prolongar o protagonismo social das pessoas com mais idade por mais tempo, tanto profissionalmente, quanto em comunidade como em família. E o melhor lugar para isso acontecer e prosperar é a partir do seio de suas casas.

E nós, da Human Care Brasil, trabalhamos o conceito Aging in place aqui no Brasil a partir do entendimento que a cultura da casa do brasileiro é um elo indivisível para fortalecer a cultura do envelhecimento bem-sucedido dentro de nossas comunidades. Planejamos o conceito de Moradia Segura porque acreditamos que o processo do envelhecimento é dinâmico, plural e complexo, mas acima de tudo, é cheio de oportunidades, de novas experiências, e especialmente único em cada fase ou idade do envelhecimento.

Fontes usadas na redação deste texto:
IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
Eurostat, 2012.
Site seniorresource.com.
Documento WHO, OMS, 2002.
Caderno de Atenção Básica, Ministério da Saúde, Brasil.

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Este artigo foi redigido por

Gerson Barth

Sou Gerson Luis Barth, fundador da Human Care Brasil, cirurgião dentista de profissão, pai apaixonado do Frederico e da Antonella e da mamãe e esposa Sheila.

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